Domingo, 07.11.10

 

Quando os filmes de animação deixam de ser para miúdos e são transversais a todas as idades, eu considero que estamos verdadeiramente perante um filme de animação.
Tudo o que quero dizer com esta introdução é que actualmente temos assistido a uma divisão quase chapada dos filmes de animação: existe aqueles exclusivamente feitos para crianças, que muito dificilmente um pai conseguirá acompanhar com tanto entusiasmo e dedicação, e depois há aqueles, como "L'Illusionniste" que acaba por ser comprometer com todas as idades, uma animação bem feita, cativante que se auto-proclama como um filme animado, alheio à arte digital, ao 3D e a todas as demarcações presentes no cinema para os Óscares.

 

 

"L'Illusionniste" conta a história de um simpáctico senhor que vê a sua arte da mágia cair em desuso pelas grandes estrelas de rock emergentes que preenchem os palcos e tomam o público que dantes era da arte tão nobre e fascinante que ele trazia atrás de si, a magia. Quando este é obrigado a ir actuar a sítios cada vez mais soturnos e com menos espectadores atentos e apaixonados, eis que surge inesperadamente na sua vida uma rapariga que genuinamente acredita que aquilo que ele faz não são truques forjados pela habilidade, mas acredita sim que aquilo que ela vê é magia.
Esta admiração pela arte cada vez mais em decadência vai fazer com que a vida do simpáctico senhor mude para sempre.

 

 

Na minha opinião, Sylvain Chomet ganhou todo o crédito como realizador depois de ter feito um dos filme de animação mais belos que já vi, "Belleville Rendez-Vous", e é com uma estética idêntica que este "L'Illusionniste" consegue trazer até nós toda a magia e ternura dos filmes de animação francesa, onde o cenário idílico é mais uma característica contemplativa deste filme onde a força das imagens e levianidade dos movimentos têm um papel muito mais determinante do que os diálogos (neste filme quase inexistentes, tal como o trabalho antecessor do realizador).
Apesar de este filme não bater a popularidade de filmes como o "Toy Story" e muito dificilmente poder chegar às salas de cinema portuguesas, eu continuo adorar toda esta magia presente nos filmes de animação mais conservadores e sinceros.

 



Raciocinado por Tiago Vitória às 12:19 | link do post | comentar | Ver comentários (5)

Quarta-feira, 03.11.10

Na sequência da tentativa de divulgação de cinema multi-cultural e produções desenvolvidas por este Mundo fora, no primeiro post decidi apostar num filme brasileiro. “Antes que o Mundo Acabe” é mais uma tentativa de relançamento do cinema nacional brasileiro, este que vive de fases:  ou é a temática  “road trip” (“Central do Brasil”) ou uma temática com cariz mais político como (“Lamarca”) ou até aqueles filmes com temáticas mais violentas como o (“Cidade de Deus”, o “Carandirú” e o “Tropa de Elite”). Desta vez, parece que o tema mais em voga é a mundo adolescente (exemplos disso são os recentes “Sonhos Roubados”, “As Melhores Coisas do Mundo” ou até o já clássico “Meu Tio Matou Um Cara”), neste filme muito bem tratado através de uma personagem, um miúdo meio macambúzio parecido com o Ron do Harry Potter, e da sua aparente e insolúvel circunstância, debatendo-se ao longo do filme contra dilemas amorosos, familiares, escolares e sobretudo com o contacto, através de fotos, que ele tem com o pai que o abandonou em criança para ir fotografar o Mundo.

 

 

Gravado em Pedra Grande (Rio Grande do Sul, Brasil), a realizadora Ana Luiza Azevedo consegue retratar uma pacata comunidade atípica ao alcatrão, aos prédios e as vivências das comuns cidades, remetendo-nos por vezes ao pensamento das recordações da pequena vila de Fellini no seu “Amarcord”, fazendo com que nos mostre, por meio do contexto sociocultural que está inserido, um filme sincero, honesto, sem grandes pretensões dramáticas onde se denota uma grande sensibilidade na escolha de todos os focos problemáticos ao longo desta longa-metragem produzida pela Casa de Cinema de Porto Alegre.

 

Contando já com diversos prémios, na sua curta existência no exterior, este é um filme diferente, que com certeza não deixa ninguém indiferente. Quanto mais não seja por se ver tão pouco cinema assim tão “verdadeiro” e “sincero”.



Raciocinado por Tiago Vitória às 14:06 | link do post | comentar | Ver comentários (1)

Terça-feira, 02.11.10
Eu gosto sempre de dar a conhecer às pessoas um outro cinema, aquele que não passa nas salas nem se encontra nas primeiras prateleiras de filmes. Aquele que foge do mediatismo e da super-produção americana e tenta produzir, com poucos meios, algo nacional mas algo bom, que merece reconhecimento por parte das pessoas.
Não vou lançar nenhum escárnio sobre a indústria americana, seria de uma hipocrisia imensa visto que mais de 80% do que eu vejo é efectivamente americano, mas considero que todos os filmes devem ter o seu espaço na indústria e eu, como peão de micro-divulgação na blogosfera, gostava que as pessoas partilhassem do mesmo espírito solidário que eu tento ter para com os filmes e pequenas indústrias que, passo a passo, tentam conquistar o seu lugar num Mundo regido pelos mesmos cânones americanos.

 

 

 

 

Portanto, para concretizar este meu esforço e compromisso com o cinema mais alternativo e regional, vou tentar divulgar mais filmes e iniciativas provenientes de outros cantos do Mundo que tendem a ter menos visibilidade.
O primeiro post será sobre um filme brasileiro.


Raciocinado por Tiago Vitória às 19:00 | link do post | comentar | Ver comentários (2)

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