Pediram-me para enviar bons pensamentos à Guiné. Eles estão a passar um momento difícil (ainda mais, sim) e eu entrego-lhes estas pequenas palavras.
Desejo-vos um dia radioso, onde o Sol se sintam nos poros mais reconditos da vossa pele. Desejo-vos também uma nuvens carregadinhas de chuvinha, quando chuver, chapinem nas ruas e nas ruelas, saltem para a água e transpirem alegria ao mesmo tempo que se fazem senhores da vossa cidade e da vossa vida. Cantem C'est Beau La Bourgeoise e não se escondam no facilitismo que é recusar a chuva. Há o arco-íris, podem contemplar! É sinal de que também há um Sol.
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Se por muitos anos usei PC, foi porque não sabia das potencialidade de um pequeno grande Macintosh. Se agora não uso mais Mac é porque não sei onde foram parar as potencialidade da minha carteira.
Uso Mac porque há um conjunto de factores, que conjugados, não me deixam alternativa possível, entre eles: multiplicidade de programas que se usa na área de audiovisuais e a escola de audiovisuais ter uma multiplicidade de personas que (apenas) usam Mac.
Para quem não anda numa área artística (onde é preciso uma maior variedade de programas como referi - sem elitismo), devo apontar que a simplicidade de processos, a despreocupação acerca de anti-virus e erros tipicamente windowsianos, a fiabilidade técnica da máquina e o seu visual são todos factores que destronam o pc.
No entanto, esta loucura por macs e pela Apple deixa-me bastante céptico acerca da veracidade social de quem agora compra. Desde que vi pessoas com macs a usarem sistema operativo da windows, já diz muita coisa...

Foi de uma forma exuberante, descontraída mas não menos pedagógica e séria que Vasco Pimentel conduziu uma Materclass promovida pela Estaleiro na Escola Superior de Educação, no Porto.
Encarregado do departamento sonoro, Vasco Pimentel já trabalhou com inúmeros realizadores como João César Monteiro, Teresa Villaverde, João Botelho, Wim Wenders ou Miguel Gomes - com o qual trabalhou no último filme premiado do realizador, "Tabu". Vasco Pimentel é um nome já consagrado e reconhecido da indústria cinematográfica portuguesa, no entanto, esse estatuto não foi redutor de uma próximidade única e brilhantemente pessoal que foi imprimida na sua palestra de 2 horas, onde se abordou temas desde a percepção sonora até à própria partilha de experiências e problemas da sua carreira.
A dispensa da aula de SOM I por parte do meu professor foi a melhor coisa que podia ter acontecido à minha manhã. Ter contactado com o Vasco Pimentel foi uma experiência inspiradora em todos os aspectos. A sua personalidade é de uma exuberância e peculiaridade excepcional, as suas palavras geravam um riso sincero por toda a sala. O responsável pelo departamento sonoro de filmes como "Aquele Querido Mês de Agosto" ou "Lisbon Story" deu-nos uma conversa contagiante com pequenos pormenores que realçavam em muito a forma expositiva de como contactava connosco.
Pessoas como eu, que estudam cinema, só podemos agradecer a disponibilidade mostrada durante toda a palestra e as palavras de determinação que, no meu caso, foram verdadeiras bombas de incentivo.
Muito obrigado Vasquinho!

Terá de haver um período de reflexão sobre aquilo que se passa em Portugal a nível das artes e da cultura.
O que será um país sem arte? Mais especificamente, o que o Jornal de Letras, Artes e Ideias aborda, o que será um país sem cinema? Um país que perde os seus principais financiamentos estatais para a produção de cinema nacional?
Várias pessoas ligadas ao cinema em Portugal tentaram responder e pareceu-me mais que evidente que, umas com mais optimismo, outras com menos, nenhuma sabe ao certo o que será de Portugal e do seu cinema. Sabem que há valores, não sabem como os desenvolver. Eles próprios ligados ao cinema, não se sabem multiplicar para chegar ao público nem sabem de que forma o público se pode também multiplicar para ver mais cinema produzido em português.
Eu sou aluno de cinema (audiovisual mais concretamente). Sinto-me intimidado, sinto-me com medo. Escolhi o meu curso porque é aquilo que gosto, é aquilo que gostava de estudar e trabalhar. Desenvolvo todos os dias o meu gosto pela arte que estudo, esforço-me por saber mais coisas, por ver mais, por ler mais, por ouvir e refletir mais sobre ideias, circunstâncias e sobre as coisas que se passam à minha volta. Esforço-me por gostar de cinema e assusta-me que o meu esforço seja algo inconsequente perante a situação incerta que nos espera.
No meu ponto de vista, os financiamentos estatais para o cinema em Portugal sempre foram medidas inconsequentes e mal aproveitadas, mal geridas. O FICA é um financiamento fantasma, nunca se desenvolveu para se consolidar. O ICA, que financia à 40 anos, encontra-se em débito crescente e os seus principais activos foram reduzidos, ou seja, também estamos defronte a uma bolsa exaurível. Resta-nos esperar pela Nova Lei do Cinema lançada este mês. Não sei do que será produto desta lei...
Ainda invocando a percepção que tenho das coisas, a solução não se vai encontrar inquirindo o governo daquilo que pode fazer e não faz. A solução está provavelmente na capacidade mecenática que os investimentos privados podem fazer em troca de retorno financeiro. Vejam o exemplo dos irmãos do Banco do Brasil, amantes da sétima arte que encontraram um equilíbrio entre o retorno financeiro na aposta à indústria cinematográfica do Brasil.
Podemos não contar com o estado, ou com as empresas privadas, ou com os mecenas que por aí andam. Mas podemos contar com nós próprios e com o nosso descernimento em apoiar a cultura em Portugal e apoiar não só os novos valores mas apoiar também a formação de um novo público no cinema, seja ele português ou não. Refiro-me a um novo público formado no bom cinema.
Ajudem a dinamizar a causa e a apelar à opinião pública daquilo que se passa. É importante.

Foi solene o momento em que vi Humberto D de Vittorio de Sica.
O neo-realismo italiano tem a particularidade de nos deixar numa situação grande de reflexão, sobre tudo agora que estamos a passar por uma crise económica. As suas narrativas, além da linha extremamente ténue entre ficção e documental, encontra-se em elipse, isto é...começa da mesma forma que acaba. E toda a gente conhece o pós-guerra: começa em desgraça e acaba em desgraça.
Na aula de história do cinema, as luzes acenderam-se e foi inevitável ver uma pessoa a chorar e tantas outras com os olhos húmidos. Eu próprio se tivesse sentimentos chorava ao ver o filme. Brincadeira, por acaso não chorei porque estava frio - eu não choro no frio, penso que estou na Sibéria e as minhas lágrimas vão congelar.
Um humanismo extremamente próximo, documental e honesto, Humberto D é um retrato da sociedade, das pessoas e da relação de amor e carinho entre um homem e o seu animal de estimação.
Sim, o Marley & eu é bonito, mas queiram ver o Humberto D, não se vão arrepender.
O blog My One Thousand Movies, projeto do Francisco é algo muito além do hobbie e do simples gosto pelo cinema. Este blog é o trabalho de alguém que quis mostrar e ensinar cinema, democratizando-o e divulgando-o com o maior apreço e dedicação para aqueles que o visitavam.
Tive a maior desilusão quando ouvi a notícia da suspensão do megaupload. Acreditem que fiquei mesmo fodido quando soube que, mais do que poder fazer o download de filmes, tinha perdido um dos acervos essenciais das minhas consultas.
Tenho muita pena Francisco e tu sabes o quanto eu gostava deste blog, fazia-te chegar isso sempre que podia. Foste e és uma mais valia para a blogosfera e o teu trabalho, pode ter sido apagado mas não foi certamente esquecido por aqueles que, tal como eu, gostavam de cinema e gostavam de saber mais sobre filmes - algo que sempre prezei acima de tudo no teu blog, não eram filmes, era aprendizagem sobre cinema.
Não sei se esta situação será regularizada e o blog voltará a normalidade. Espero sinceramente que sim. No entanto, pode não acontecer e se assim for, não te peço para retomares o trabalho perdido mas peço-te para não desistires de trazer conhecimento à blogosfera. Isso é o essencial para as pessoas que conhecem a tua dedicação pelo cinema.
http://myonethousandmovies.blogspot.com
No entanto, esta moda do TEDx parece ter pegado em massa (e em Portugal). Não sei se por estarmos numa geração onde cada vez mais é preciso gerar motivação nas pessoas, ou se por outro lado, há tantos iluminados na arte de bem falar que seria um crime não aproveitar as suas - como eles dizem - "skills", a verdade é que, atualmente, as pessoas gostam e querem ser estimuladas através deste tipo de palestras da TEDx.
Eu não sou ninguém para dizer o que está bem ou o que está mal, muito menos sou um daqueles que gosta de ser da contra-cultura para dizer que todas as modinhas são maléficas e que devemos pensar pela nossa cabeça, mas a verdade é que DEVEMOS.
Eu não tenho rigorasamente nada contra o Miguel Gonçalves, até estava achar piada ao seu método efusivo de aplanar o seu projeto, aliás, há ali coisas que deviamos realmente prestar mais atenção, como o facto do europass estar completamente desatualizado e desajustado ao modo como as empresas selecionam trabalhadores.
No entanto, acho despropositado o rumo que aquela palestra do TEDx levou. Tenhamos discernimento para nos distanciar daquilo que foi dito na palestra e para analisar a NOSSA realidade.
Sem querer estar a comentar o facto absurdo do uso de milhentas palavras em inglês que para mim é só "armar ao pingarelho", eu gostava de vos fazer uma pergunta, que para mim é a coisa mais simples à qual me posso questionar, se é só preciso chegar mais cedo e sair mais tarde, ir trabalhar com afinco, tremer as montanhas e esburacar todas as minas com todos os dentes que as nossas mães nos deram, porquê que as coisas não mudam? Será que basta ter paixão e vontade para tudo funcionar como deve ser? Será que a vontade e a iniciativa nada têem a ver com a circunstância que nos rodeia, funcionando autonomamente para a concretização pessoal? Por favor acordem. Na vida real, NÃO HÁ GATOS PRETOS, aliás, que merda é essa de gatos pretos?! É uma metáfora para ideias, iniciativas? Eu não faço ideia como é que o uso de metáforas pode esclarecer tanto as pessoas em detrimento do uso de uma coisa chamada, EXEMPLOS.
Eu não sei se vocês sabem mas as palavras ou equivalem a alguma coisa específica ou de nada significam. E não venham dizer que o que ele está a fazer é motivar as pessoas, para isso então as pessoas são um bando de autómatos que não sabem como se motivar nem sabem que - é um dado adquirido - se não formos criativos nem determinados, nos dias que correm, de nada servimos às empresas.
Não tenho nada contra o Miguel Gonçalves, mas tenho antipatia a quem o quer endeusar. A quem quer endeusar uma pessoa que nos diz o que fazer utilizando gatos pretos. E eu não tenho nada contra os gatos pretos, tenho um aqui em casa.

Custa-me acreditar que a televisão tenha descido tão baixo. Baixo, baixo, baixo ao nível de subverter a nossa vontade à nossa própria vontade. Apesar de paradoxal e verdadeiramente redundante, eu acredito nisto que estou a dizer. Como aquelas pessoas que sabem que estão a fazer mal, mas fazem-no, sub-pretexteando o "mal" com a maior variedade de desculpas forjadas pela vergonha de quem quer, mas sabe que querer é errado.
O ser humano é vouyeurista. Ponto final. Gostamos de ver os outros, gostamos daquele sabor agri-doce de ver o que não é nosso, quase descuidadamente e sem pretensão.
Big Brother, experiência máxima desse entretenimento tão pouco nuclear mas tão ridiculamente engraçado: observar pessoas confinadas a uma casa, nas suas relações interpessoais. Epic Win for Human Being.
No entanto, e apesar de eu considerar que os formatos televisivos não podiam descer tão baixo, eis que surge a casa dos segredos.
Haaa fodasse, a casa dos segredos...
O que foi que a Casa dos Segredos trouxe de novo, perguntam vocês?
Ora bem, o formato não trouxe nada de novo. Os segredos são um acessório. A casa com pistas é de uma indiferença cavalar. As tarefas diárias continuam a mesma pasmaceira costumeira. No entanto, uma coisa mudou. O que mudou foi a forma magistral com que a produção do programa manipula o rigoroso processo de seleção - naturalista e aleatório que só ele.
A produção da Casa dos Segredos é o glitter do formato, é aquilo que nos faz odiar e amar ao mesmo tempo, é o que vai buscar o que o ser humano tem de pior. Ainda se lembram de quando eu falei ali em cima no sentimento "voyeurista" que o ser humano tem? Pois, a questão é que a Casa dos Segredos desce ainda mais baixo.
Aquele formato, com aquelas pessoas, fazem o ser humano, o incólume espectador, sentir-se superior. Faz com que uma pessoa se julgue extremamente sapiente e, por uns breves momentos, uma alma inspirada e soberbamente reluzente face aquele reles sociotipo que o ser humano julga ser representativo da sociedade portuguesa. Sim, de repente, uma pessoa consegue ridicularizar-se ao ponto do ridículo das outras, simplesmente por ter consciência que sabe coisas tão basilares como "países da América do Sul" ou sabe a "capital de Espanha". Muito bem pessoa que se julga espectacular, dou-lhe uma salva de palmas pelas excelências intelectuais da qual se faz serviçal.
Somos assim tão rascas porque inconscientemente tiramos prazer ao ver um programa que faz ridículo dos seus intervenientes?
Talvez, no meu caso, só vejo a Casa dos Segredos porque acho um piadão à Cátia.
Enfim, humans being humans.
Uma perspectiva que há uns anos atrás me parecia ténue, é hoje uma realidade. Mais do que isso, é a possibilidade de conseguir um sonho.
Ontem entrei no curso de Audiovisual da ESMAE (IPP). Para mim, mais do que ir para um sítio que me dê ferramentas necessárias para um mercado de trabalho, eu encarei - e encaro cada vez mais - esta oportunidade para cultivar e deixar consolidado uma coisa que para mim e para a minha vida é essencial, o cinema. A entrada no ESMAE é como uma forma para, ao mesmo tempo, me transcender enquanto sujeito criativo e conciliar um possível emprego no meu maior prazer. Há coisa que pague isso?
Eu sei que este curso do Politécnico do Porto não é exclusivamente virado para cinema, mas mesmo assim, aborda mais duas áreas fascinantes, a área da fotografia e da televisão. É uma turma de 25 alunos. É pequena, mas isso é bom, há um ensino mais coeso.
Neste momento, lembro-me de um post que fez a Raquel no blog dela (http://textosparasonhar.blogspot.com) de quando acabou o secundário e entrou na faculdade. Ela dizia o quanto se sentia orgulhosa e com o sentimento de dever cumprido. Sinto-me exactamente igual. Saber que fiz o suficiente - sim, não sou espectacularmente prendado para fazer mais que o suficiente - para chegar aqui.
Estudei, estudei e estudei. Nem sempre sabia localizar-me, saber o caminho que tinha de fazer para chegar aqui. Às vezes parecia que já ia tarde, que tinha acordado tarde de mais para isto. Cheguei, chegou. Foi o suficiente e saber que entrei na minha primeira opção (e poderia ter entrado na segunda e terceira) é muito bom. É como se cada gota de esforço tivesse valido mais do que a pena.
Seria arrogante não agradecer as pessoas que me ajudaram como os professores, mas seria igualmente falso dizer que eles foram uns promotores assim tão relevantes para o meu sucesso. Agradeço, mas não exacerbo nada.
Depois desta dissertação mais ou menos relâmpago, é hora de pensar na faculdade. Juro que vou dando notícias de como é aquilo por lá. Mas aconselho, para os interessados, em ler o meu tumblr. Lá terá mais info.
Tinha isto no computador e resolvi partilhar. Foi um texto pedido pela professora da disciplina de Sociologia que tinha como objectivo abordar, do ponto de vista sociológico, o filme: Clube dos Poetas Mortos.
Em qualitativa tirei muito bom.
Este filme foi seleccionado pela disciplina de Sociologia pelo seu tema ser a escola, esta que é um dos principais agentes de socialização dos indivíduos. O filme reproduz uma história centrada numa escola tradicional onde o professor é a autoridade máxima (Magister Dixit) e o objectivo dele, em concordância com os objectivos da escola é simplesmente formar os melhores alunos para estes entraram nas mais prestigiadas faculdades. Os alunos vêem sobretudo de famílias tradicionais (família nuclear) e abastadas onde, assim como na escola, o elemento masculino é a autoridade (sendo a mãe um elemento submisso – como podemos ver na cena em que Perry decide suicidar-se). No entanto, o drama adensa-se quando chega um novo professor de literatura (ex-aluno) à escola de valores essencialmente conservadores, o professor chama-se Keating. Este professor, ensinado nos mesmos molde que até então se fazia sentir na escola, pauta as suas aulas com um cariz pouco ortodoxo (anti-tradicional) o que gera controvérsia na sua aceitação interna na escola devido aos seus métodos de ensino tão divergentes do resto dos professores e corpo intelectual da instituição. Quando os alunos, impulsionados pelo seu mais recente gosto pela poesia, descobrem o “Clube dos Poetas Mortos” (onde Keating foi membro), decidem reproduzi-lo. Este Clube dos Poetas Mortos funciona como uma catarse dos sentimentos e emoções dos alunos, algo que eles não faziam nem na escola nem em casa. A empatia com o professor foi crescendo à medida que as aulas iam avançando e este lhes ensinava “valores” e modos de pensar, próximos da auto-determinação (procurar a verdadeira identidade) e do carpe diem (aproveitar o dia).
No fim do enredo, o professor é marginalizado pela instituição escola apesar de ser aceite pelos alunos.
A nível sociológico, o que salta à vista deste filme são os comportamentos desviantes que um grupo de indivíduos protagonizou contra uma instituição social. A não-aceitação dos valores vigentes criou um desviou à ordem social daquela instituição, ou seja, as normas, regras, formas de agir e pensar não foram reproduzidas pelos indivíduos, o que gerou a aplicação de sanções negativas por parte da instituição que, com os objectivos bem definidos quanto ao futuro que queriam dar aos seus alunos, criaram novamente uma aura de conformidade e submissão na tentativa de manter a ordem social.


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